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City Lights

Aluna da Escola de Magia e Feitiçaria de Hogwarts (e de Medicina, nos tempos livres)

City Lights

Aluna da Escola de Magia e Feitiçaria de Hogwarts (e de Medicina, nos tempos livres)

Vou-vos contar o sonho que tive

Sempre que sonho durante a noite, mesmo que não seja um pesadelo ou que não me faça acordar, de manhã estou sempre em modo zombie e passo o dia todo cheia de sono, sem ver a hora de me poder estender na cama e dormir. Esta noite foi assim, e como eu sei que o vosso dia não seria o mesmo se eu não vos contasse o meu sonho, aqui vai:

Imaginem um cenário apocalíptico, cidades desertas, não se vê ninguém. Eu num grupo de sobreviventes a fugir não sei para onde numa carrinha decrépita a cair aos bocados, sem água, sem comida... Até que alguém encontra um pacote de bolachas e fica toda a gente feliz porque afinal já não vamos morrer à fome (morre-se mais depressa de sede, mas o meu eu dos sonhos não pensa nessas coisas). Bem, toda a gente feliz menos eu, claro! Porquê? Porque não posso comer bolachas, estou de dieta (este foi o momento em que as minhas amigas desistiram de tentar conter-se e começaram a chorar de tanto rir). Inicia-se portanto uma grande discussão, porque eu não quero morrer à fome, claro está, mas também não quero ficar gorda. Até que alguém se lembra que afinal as bolachas são de fibra. Ah, pronto, já podiam ter dito! Assim não há problema, ora passa cá uma para ver se são boas...  

 

E pronto, foi isto. Eu estou com umas olheiras até ao pescoço, mas as minhas amigas começaram o dia com uma boa dose de riso, que é o que se quer!

Pedido de Desculpa Público

Às minhas ancas, às minhas coxas, e a todos os outros depósitos de gordura do meu corpo, peço desculpa. Bem sei que não vos tenho tratado bem nestes últimos dias. Nem ir todos as manhãs ao ginásio compensa o facto de depois enfardar pacotes de bolachas e caixas de pizza indiscriminadamente (mas a acompanhar com chá verde, que faz muito bem ao organismo!). 

Prometo que assim que passar o exame, volto a encher-vos de miminhos e coisas boas. Tenham lá mais um bocadinho de paciência comigo, que para a semana já somos amigos outra vez.

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A Vida Inteira de Dieta

Às vezes parece que sou só eu, mas depois olho em volta e vejo que há muitos, muitos mais a passar pelo mesmo.

Há coisa de 7 anos, estava eu no pico da minha adolescência, sofri de anorexia nervosa. Não foi coisa para durar muito tempo porque tive a sorte de ter uma mãe que percebeu num instantinho que alguma coisa não estava bem, mas foi o suficiente para bater no fundo. E bati mesmo. Estive internada durante quinze dias porque estava num ponto em que não conseguia comer fosse de que maneira fosse. Mas depois, aos poucos, com a ajuda dos amigos maravilhosos que tive ao meu lado, da família e do meu pediatra que se dedicou a 200% ao caso, fui melhorando. Muito devagarinho, com muitos passos atrás, mas cheguei lá. E quando consegui estabilizar novamente num peso considerado normal, achei que me tinha livrado para sempre da doença. Hoje acho que não é bem assim. Mesmo estando satisfeita com o meu corpo, com o meu peso, com a minha aparência, há um bichinho que nunca morre e não nos deixa ser verdadeiramente felizes. Olhando para trás, vejo que desde essa altura nunca deixei de contar calorias, nunca deixei de me sentir culpada por faltar ao ginásio ou de pensar que tenho que compensar e treinar o dobro porque ontem comi alguma coisa que não devia. Tenho perfeita noção de que o meu estilo de vida, mesmo que tenha vindo a melhorar muito, está longe de ser saudável e, principalmente, está longe de ser uma coisa sustentável. Durante a semana tenho uma alimentação regrada, perfeita. Uma ou outra vez, numa ocasião mais especial, abre-se uma excepção e faço uma asneira mas, lá está, no dia seguinte tem que haver ginásio para que isso não me fique a pesar na consciência. O problema mesmo é ao fim-de-semana: depois de cinco dias sem me permitir uma única falha, naqueles dois dias acabo sempre por cair no exagero. Não há equilíbrio: vou do oito ao oitenta. E tem sido assim, desde que me lembro. Tenho perfeita consciência que tenho que mudar, que esta forma de vida não é boa nem para o meu corpo nem para a minha mente e que, a longo prazo, nunca resultará.

Mas quem diz que isto de encontrar a fórmula mágica da alimentação equilibrada, que não custa nada manter, associada a uma vontade inabalável de fazer desporto todos os dias, sem nunca cansar, sem nunca acordar com vontade de ficar a dormir em vez de se ir enfiar no ginásio, é fácil, está a pregar a maior mentira de todos os tempos. Eu estou há sete anos, por entre muitos erros (uns maiores que outros), a tentar encontrá-la e adaptá-la a mim. E não tem sido pêra doce. A vontade de mudar é muita, mas há fantasmas que nunca nos abandonam. É persistir, insistir, e nunca desistir. Um dia hei-de conseguir fazer as pazes comigo mesma e com a comida. Não sei bem quando, mas sei que esse dia vai chegar. E entretanto, só queria partilhar isto convosco. Porque sei que há por aí imensa gente a passar pelo mesmo, rodeados de testemunhos que fazem parecer tudo muito fácil. Não é. É difícil que se farta, mas eu sei que consigo!